Sobrevivente de naufrágio no AM nadou por horas e se agarrou a árvore até ser resgatado
01/07/2026
(Foto: Reprodução) Buscas continuam por desaparecido após naufrágio no interior do AM
O agricultor Jucélio da Silva sobreviveu ao naufrágio que matou a mãe dele, Antônia Rodrigues da Silva, de 69 anos, e a tia, Honorina Serrão Viana, de 79 anos, no Rio Urubu, em Silves, no interior do Amazonas. Segundo familiares e o Corpo de Bombeiros, ele nadou por cerca de duas horas até alcançar a margem do rio, onde se agarrou a uma árvore e aguardou socorro.
O acidente ocorreu na manhã de terça-feira (30), durante uma forte tempestade. Além das duas mortes, o pai de Jucélio, Wilson Brito da Silva, de 70 anos, desapareceu e segue sendo procurado por bombeiros e familiares.
Ao g1, a irmã de Jucélio, Ilciane da Silva, contou que o irmão acompanhava os pais e a tia em uma viagem para Itacoatiara, onde o grupo resolveria questões bancárias. Segundo ela, uma forte onda atingiu a embarcação durante a travessia.
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"Ele falou que a onda veio muito forte. Meu pai, minha mãe e minha tia estavam no meio da canoa. Quando a onda bateu, minha mãe e minha tia voaram do braço dele", relatou.
Ainda segundo Ilciane, o irmão contou que a mãe chegou a dizer que todos morreriam. Jucélio tentou acalmá-la e orientou que ela retirasse parte das roupas para facilitar a flutuação. Em seguida, ajudou a mãe e a tia a se segurarem na embarcação.
"Minha mãe falou que eles iam morrer. Aí ele falou: 'Mãe, não se desespera e tira sua roupa'. E a mamãe tirou a roupa dela. Quando a onda veio, ele colocou minha mãe e minha tia agarradas no banco. Quando a água cobriu ele e ele olhou para trás, não enxergou mais ninguém", disse a irmã.
Antônia Rodrigues da Silva, de 69 anos, que morreu em naufrágio no interior do AM junto da filha Ilciane da Silva
Arquivo pessoal
Sozinho na água, Jucélio retirou as próprias roupas e tentou alcançar a margem. O relato da família coincide com as informações repassadas pelo Corpo de Bombeiros, que informou que ele nadou por cerca de duas horas após o naufrágio. No trecho onde o acidente aconteceu, o Rio Urubu tem aproximadamente 2 quilômetros de largura.
"Ele falou que, quando se soltou da canoa, tirou a roupa dele todinha e foi para o lado do mato. Quando chegou perto do mato, o vento jogou ele para cima. Foi quando conseguiu se agarrar em um pedaço de madeira e ficou esperando ajuda", contou Ilciane.
Segundo ela, o irmão permaneceu no local até ser visto por ocupantes de uma embarcação que passava pela região.
"Passou uma rabeta [pequena embarcação a motor], chamaram ele e conseguiram salvar", afirmou.
SAIBA MAIS: Quem eram as mulheres que morreram após canoa afundar no interior do AM
Buscas continuam
Wilson Brito da Silva continua desaparecido. Nesta quarta-feira (1º), mergulhadores do Corpo de Bombeiros retomaram as buscas no Rio Urubu.
Após participarem do enterro de Antônia e Honorina, realizado pela manhã em Silves, familiares retornaram ao local do naufrágio para acompanhar os trabalhos de procura pelo idoso.
"Tenho uma grande fé em Deus que a gente vai encontrar ele. Não com vida, como a gente espera, mas pelo menos o corpo", disse Ilciane.
Família acompanha buscas por desaparecido após naufrágio no interior do AM
Arquivo pessoal
Relembre o naufrágio
A embarcação levava quatro pessoas da comunidade São Raimundo do Vida, em Silves, para a comunidade São José do Piquiá, em Itacoatiara, onde o grupo pretendia resolver questões bancárias.
Durante a viagem, a canoa afundou em meio a uma forte tempestade no Rio Urubu. Antônia Rodrigues da Silva, de 69 anos, e Honorina Serrão Viana, de 79 anos, morreram. Os corpos foram encontrados por moradores ainda na terça-feira (30).
As duas mulheres foram enterradas na manhã desta quarta-feira (1º), no Cemitério Divino Espírito Santo, em Silves.
Canoa afunda e deixa mortos no interior do Amazonas
Arte/g1