Quem são os principais alvos da operação da PF que apura suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro
16/09/2026
(Foto: Reprodução) O prefeito de Coari, Manoel Adail Pinheiro (Republicanos), e o deputado federal Adail Filho (MDB) são os principais alvos da Operação Dinastia do Lago, deflagrada pela Polícia Federal (PF) nesta quarta-feira (16). A investigação apura suspeitas de fraudes em licitações, desvio de recursos públicos, corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo contratos da Prefeitura de Coari, no interior do Amazonas.
A ação foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Ao todo, são cumpridos 29 mandados de busca e apreensão em Manaus e Coari. O prefeito de Coari, Adail Pinheiro, e secretários municipais foram afastados dos cargos. O principal alvo da operação é o deputado federal Adail Filho (MDB-AM), filho do prefeito. Segundo a TV Globo, mandados de busca foram cumpridos contra o parlamentar no Amazonas, mas não em Brasília.
Adail Pinheiro comandava a Prefeitura de Coari quando a ação ocorreu. Ele foi eleito pela primeira vez em 2004, voltou ao cargo em 2012 e, em 2024, venceu novamente a eleição.
A carreira política de Adail Pinheiro é marcada por investigações e condenações. Em 2008, ele foi detido pela Polícia Federal na Operação Vorax, suspeito de participar de um esquema que desviou mais de R$ 40 milhões da Prefeitura de Coari.
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Na mesma investigação, a polícia identificou indícios de uma rede de exploração sexual de crianças e adolescentes.
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Em novembro de 2014, Adail foi condenado a 11 anos e 10 meses de prisão por crimes relacionados à exploração sexual de crianças e adolescentes. Ele já estava preso desde fevereiro daquele ano.
Em janeiro de 2017, a Justiça concedeu indulto a Adail, extinguindo a pena. No mês seguinte, o Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) suspendeu o benefício após recurso do Ministério Público. Ele voltou a cumprir a pena em regime domiciliar, monitorado por tornozeleira eletrônica.
Trajetória de Adail Filho
O filho de Adail, Adail Filho, também seguiu carreira política em Coari. Ele foi eleito prefeito em 2016 e reeleito em 2020. No entanto, teve a candidatura cassada pela Justiça Eleitoral, que aplica a regra que impede membros da mesma família de ocupar o cargo por mais de dois mandatos seguidos.
Em 2019, já como prefeito, Adail Filho foi preso na Operação Patrinus, do Ministério Público do Amazonas (MP-AM), com apoio da Controladoria-Geral da União (CGU) e da Polícia Civil. A investigação apurava fraudes em licitações e desvio de recursos públicos.
Segundo as investigações da época, Adail Filho teria utilizado contratos da prefeitura para beneficiar fornecedores que aguardavam pagamentos havia anos. A suspeita era de que empresários pagavam 30% do valor das dívidas para receber os recursos. A operação também investigou suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro.
Na mesma operação, também foram presos o presidente da Câmara de Coari, Keitton Pinheiro, primo de Adail Filho, além de um empresário e um policial militar. A polícia cumpriu mandados de busca em endereços ligados a servidores, vereadores e empresários.
Adail Filho e Adail Pinheiro
Foto: Divulgação