Policiais são presos em operação que mira agiotagem, extorsão e lavagem de dinheiro no AM
20/05/2026
(Foto: Reprodução) Operação é deflagrada contra agiotagem, extorsão e lavagem de dinheiro no Amazonas
Dois policiais militares do Amazonas, cujas as identidades não foram reveladas, foram presos nesta quarta-feira (20), em Santa Catarina, durante a operação "Covill de Mamon". A ação policial foi deflagrada pela Polícia Civil do Amazonas e mirava duas organizações criminosas em Manaus. A informação foi confirmada pelo delegado Fernando Bezerra.
Os grupos são investigados por extorsão, agiotagem, homicídios, tortura, sequestro, cárcere privado e lavagem de dinheiro. Os militares, segundo as investigações, integram o núcleo financeiro de um dos esquemas.
Em entrevista à Rede Amazônica, o delegado informou que a investigação chegou aos militares ao alcançar o núcleo financeiro.
"A investigação alcança tanto os atos criminosos originais quanto destino desses valores. Então a gente consegue demonstrar que a partir dos recursos que foram obtidos nas atividades criminosas, eles empreendem ocultação patrimonial para fins de lavagem de dinheiro", disse o delegado.
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De acordo com a Rede Amazônica, os presos foram encaminhados para a sede da Delegacia-Geral da PC-AM, localizada no bairro Dom Pedro, na Zona Centro-Oeste da capital.
Delegacia Geral de Polícia Civil do Amazonas
Divulgação
O diretor de Comunicação da PMAM, Andrey Oliveira, informou que os policiais, sem autorização judicial, se ausentaram do Amazonas e foram para Santa Catarina e foram devidamente presos.
"Eles já respondiam um processo criminal que já estavam em nível de Justiça e estavam suspensos da atividade policial. Gostaria de reafirmar o compromisso da polícia militar em não compactuar com esses casos de corrupção. Eles já respondiam a processo administrativo e aguardaremos o desfecho dessa investigação da Polícia desse novo caso".
Covill de Mamon
A operação foi deflagrada nesta quarta-feira e cumpriu 25 mandados de prisão e 31 de busca domiciliar, em uma ação realizada pela Polícia Civil, Secretaria Executiva Adjunta de Operações (Seaop) e Polícia Militar do Amazonas (PMAM).
Até a última atualização desta reportagem, 20 pessoas foram presas, sendo 13 em Manaus e outros sete em outros estados.
Também foram sequestrados 42 veículos e sete imóveis, além do bloqueio de contas bancárias e suspensão das atividades de sete empresas ligadas aos suspeitos.
As investigações apontaram que uma das organizações criminosas movimentou valores superiores a R$ 24 milhões, provenientes das atividades ilícitas.
Segundo a polícia, os criminosos ofereciam empréstimos com juros abusivos. Quem não pagava era alvo de cobranças violentas, que incluíam ameaças, extorsão, tortura, sequestro e até homicídios.
"Então, é importante lembrar que não se trata de simples empréstimos, são empréstimos a juros abusivos e extorsivos. Temos casos aqui de R$ 150 emprestados que se tornou R$ 45 mil de dívidas. É uma forma extremamente inescrupulosa de cobrança através de lesão corporal, ameaças, temos catalogados homicídios também derivados desses atos de cobranças".
As investigações também identificaram que o esquema de lavagem de dinheiro ultrapassava as fronteiras do Amazonas, alcançando os estados de Santa Catarina, Paraíba e Roraima.
Ainda de acordo com a polícia, a apuração sobre a receita da segunda organização ainda depende do cumprimento de medidas de quebra de sigilo bancário, deflagradas simultaneamente à operação.
Operação é realizada pela Polícia Civil, Polícia Militar e Secretaria de Segurança Pública
Foto: Jucélio Paiva/Rede Amazônica