Operação Sanguessuga: 28 réus começam a ser julgados por fraude no Detran-AM
11/03/2026
(Foto: Reprodução) Operação "Sanguessuga" cumpre 83 mandados de busca e apreensão em Manaus
A Justiça do Amazonas iniciou nesta terça-feira (11) o julgamento de 28 acusados de participar de esquema de fraude no Departamento Estadual de Trânsito do Amazonas (Detran-AM). Entre eles estão servidores do órgão, estagiários, colaboradores e despachantes investigados na Operação Sanguessuga, da Polícia Civil.
Deflagrada em 2020, a operação apurou um esquema que permitia retirar de forma ilegal restrições de circulação de veículos comprados com incentivos fiscais da Zona Franca de Manaus. Segundo as investigações, a fraude teria causado prejuízo estimado em cerca de R$ 30 milhões aos cofres públicos.
As audiências seguem até sexta-feira (13), em Manaus. Nesta etapa do processo, a Justiça ouve testemunhas e os próprios acusados antes de decidir se eles serão condenados ou absolvidos.
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Como funcionava o esquema
De acordo com a Polícia Civil, o grupo atuava para emitir documentos de veículos sem registrar restrições legais de circulação.
Os carros eram comprados com isenção de impostos, como ICMS e IPI, benefícios concedidos a montadoras instaladas na Zona Franca de Manaus. Em alguns casos, esses veículos deveriam permanecer no Amazonas por um período determinado ou ter restrições para circular fora da região.
Segundo as investigações, servidores do Detran-AM e despachantes retiravam essas restrições de forma ilegal, o que permitia que os veículos fossem vendidos ou transferidos para outros estados.
Carros apreendidos durante operação contra desvio de R$ 30 milhões.
Eliana Nascimento
Operação e apreensões
Durante a operação, 28 pessoas foram presas. Na ocasião, também foram apreendidos mais de 30 veículos, milhares de documentos, equipamentos eletrônicos e lacres de placas.
Segundo a polícia, parte desses lacres era vendida ilegalmente e poderia ser usada por quadrilhas especializadas em clonagem de veículos.
As investigações também identificaram indícios de pagamento de propina para que processos dentro do Detran-AM fossem liberados sem as restrições exigidas.
Os réus respondem por crimes como associação criminosa, corrupção ativa e passiva, falsidade ideológica, inserção de dados falsos em sistema público, crimes contra a ordem tributária, receptação e lavagem de dinheiro.
A investigação foi conduzida pela Delegacia Especializada em Roubos e Furtos de Veículos (DERFV) da Polícia Civil do Amazonas. Parte das provas também foi compartilhada com a Polícia Federal, que deflagrou, em 2021, a Operação Francamente, ligada ao mesmo esquema.