Ônibus reduzem operação para 50% fora do horário de pico após paralisação em Manaus, informa sindicato de empresas
21/07/2026
(Foto: Reprodução) Ônibus reduzem operação para 50% fora do horário de pico após paralisação em Manaus
O transporte coletivo de Manaus passou a operar com 50% da frota de ônibus fora dos horários de maior movimento nesta terça-feira (21), conforme determinação do Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região (TRT-11). A informação foi divulgada pelo Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram), após a paralisação dos rodoviários iniciada na segunda-feira (20).
A decisão judicial determinou que o serviço mantenha 80% dos ônibus em circulação nos horários de pico, das 6h às 9h e das 17h às 20h. Nos demais períodos, a operação deve funcionar com metade da frota.
Os ônibus começaram a voltar às ruas ainda na madrugada desta terça-feira, com 80% da frota em circulação no início da manhã. A medida foi tomada após o TRT-11 considerar a greve abusiva e determinar o retorno dos veículos.
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Na manhã desta terça-feira, passageiros ouvidos pela Rede Amazônica nos Terminais 4 e 5 relataram os reflexos da paralisação. Muitos disseram que precisaram recorrer a carros por aplicativo para voltar para casa e saíram novamente preocupados com a possibilidade de uma nova interrupção do serviço.
O estudante Renan contou que não conseguiu encontrar ônibus após sair da escola na segunda-feira e precisou pagar por uma corrida de aplicativo. "Quando tem essas greves aumenta os preços, né. Aí fica complicada a situação", disse. Já nesta terça, afirmou que saiu de casa apreensivo, mas encontrou a circulação dos ônibus aparentemente normal.
O trabalhador da construção civil Elias também teve gastos extras. Ele desembolsou R$ 65 para voltar da Ponta Negra, na Zona Oeste, até a Zona Leste de Manaus. Segundo ele, o valor comprometeu praticamente toda a renda do dia.
"Foi um prejuízo, porque o dia de ontem praticamente foi só para pagar o Uber e voltar para casa", afirmou. Nesta terça, ele disse esperar que não haja uma nova paralisação. "Se tiver greve de novo é mais um prejuízo pro bolso."
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Foto: Natália Póvoas/Rede Amazônica
O que motivou a paralisação
De acordo com o Sindicato dos Rodoviários, a paralisação foi motivada pelo atraso no pagamento dos salários da categoria. Segundo o presidente da entidade, Givancir Oliveira, as empresas de ônibus descumpriram os prazos de pagamento previstos pela Justiça.
No início deste mês, o TRT-11 concedeu uma liminar determinando que as empresas paguem 40% dos salários até o dia 20 de cada mês ou no dia útil anterior, quando a data cair em fim de semana ou feriado e os 60% restantes até o quinto dia útil do mês seguinte. Segundo o sindicato, esse prazo não foi cumprido na segunda-feira (20).
Passe livre estudantil
Além da paralisação, o Sinetram afirmou que o passe livre estudantil em Manaus pode ser afetado por uma dívida de R$ 90,1 milhões. Segundo a entidade, os valores são referentes aos repasses do benefício e envolvem o Governo do Amazonas e a Prefeitura de Manaus.
O sindicato afirma que as 10 empresas que operam o transporte coletivo na capital enfrentam dificuldades financeiras e que a falta dos repasses interfere na manutenção do serviço.
O presidente do Sinetram, César Tadeu Teixeira, afirmou que a continuidade da gratuidade para estudantes depende do pagamento dos valores em aberto.
"O sistema pode colapsar caso essa dívida, que hoje é de R$ 90 milhões, não seja paga", disse.
O g1 procurou a Prefeitura de Manaus e o Governo do Amazonas para comentar as pendências financeiras apontadas pelo Sinetram e aguarda resposta.