MP-AM investiga morte em ação policial; PMs são alvo de operação em Manaus
13/03/2026
(Foto: Reprodução) Ministério Público Estadual do Amazonas
Adneison Severiano/G1 AM
O Ministério Público do Amazonas deflagrou, nesta sexta-feira (13), uma operação para investigar a morte de João Paulo Maciel dos Santos, ocorrida em outubro de 2025, no bairro Vila da Prata, em Manaus. Dezenove policiais militares são alvo da ação.
A Polícia Militar do Amazonas informou que foram cumpridos dez mandados de prisão e oito de busca e apreensão. A operação foi acompanhada pela Diretoria de Justiça e Disciplina da corporação.
Segundo o MP, o trabalho é conduzido pelas 60ª e 61ª Promotorias de Justiça de Controle Externo da Atividade Policial, com mandados expedidos pela Justiça.
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Os policiais investigados fazem parte das Rondas Ostensivas Cândido Mariano (Rocam). Um dos mandados de prisão ainda não foi cumprido porque o alvo está fora do estado
Em nota, a PM afirmou que já trabalha para localizar o suspeito e que medidas administrativas e disciplinares foram adotadas, conforme previsto nas normas internas.
O caso
➡️Segundo informações da Ronda Ostensiva Cândido Mariano (Rocam), os policiais foram ao beco após uma denúncia anônima sobre a venda de entorpecentes por criminosos armados. Os policias solicitaram apoio e iniciaram uma perseguição. Ao entrarem em uma passagem na lateral de uma residência, os policiais afirmaram terem sido atacados a tiros.
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Entretanto, moradores e testemunhas contestam a versão da polícia. No vídeo gravado por uma testemunha, é possível ver os agentes abordando um homem sem camisa. O suspeito leva as mãos a cabeça e é revistado sem demonstrar reação.
Veja os vídeos que estão em alta no g1
Em seguida, ao menos um policial aparece levando o homem para a passagem lateral de uma residência enquanto um grupo com cerca de seis policiais permanece no local da abordagem. Pouco tempo depois, outros dois agentes entraram na mesma passagem lateral caminhando e logo saem do local carregando um corpo.
Revolta da população
Um dia após a morte, familiares e amigos realizaram uma manifestação na Avenida Brasil, no bairro Compensa, Zona Oeste. Durante o protesto, os manifestantes levaram cartazes e gritaram por Justiça, atearam fogo a restos de lixo, madeira e pneus e bloquearam a Avenida Brasil.
O trânsito na região ficou totalmente bloqueado enquanto a Polícia Militar chegava com reforço para conter os manifestantes. Tiros de balas de borracha chegaram a ser disparados para dispersar a multidão.
A mãe da vítima, Jeciara Maciel, participou da manifestação e questionou a morte do filho, além de exigir Justiça.
"Mataram meu filho, hoje o enterrei. Pegaram meu filho, ele já estava rendido. Levaram ele para baixo de uma casa. Executaram meu filho. Ele desceu com vida e voltou sem vida. Eu quero Justiça pela vida do meu filho", disse.
Na ocasião, o Secretário de Segurança Pública, Coronel Vinicius Almeida, informou que estava deslocando o efetivo de segurança pública para encerrar uma manifestação em homenagem a um traficante de Manaus morto na megaoperação no Rio de Janeiro.
A defesa família do jovem contesta essa versão, e diz que o ato foi um pedido legítimo de justiça e que a resposta do Estado foi desproporcional e violenta.
“Foi uma manifestação pacífica, com moradores locais segurando cartazes. Não houve tumulto, não houve vandalismo. Tinha criança no local, e a polícia chegou atirando sem saber em quem. Foi uma ação hostil e excessiva”, disse a advogada Thayane Costa.