'Medo de desabar tudo': avanço de erosão ameaça casas em Presidente Figueiredo
21/08/2026
(Foto: Reprodução) Crateras avançam no município de Presidente Figueiredo, interior do Amazonas
Reprodução/Globoplay
Moradores de Presidente Figueiredo, no interior do Amazonas, vivem sob ameaça de desabamento. Chuvas intensas abriram crateras e voçorocas nos bairros Galo da Serra, Aida Mendonça e Tancredo Neves. Sem drenagem adequada, o solo cede e coloca casas em risco.
No Galo da Serra, parte de uma rua foi tomada por uma cratera com mais de 15 metros de profundidade. A erosão aumenta a cada chuva.
🔎 Voçoroca é um buraco ou cratera formado pela ação contínua da água sobre um solo exposto. Ela representa um estágio de erosão mais avançado.
A cabeleireira Lidiane Souza mora perto da cratera e diz que o risco aumenta em dias de chuva e vento forte.
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"Principalmente esse aqui que tá bem do lado da minha casa, né, e ele tá correndo por baixo quando dá vento bastante assim, dá um tempo, fecha o tempo, a gente ouve as árvores cair. Essa é a nossa preocupação", relatou a moradora.
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No bairro Aida Mendonça, a doméstica Cida Cabral, que mora no local há mais de três anos, teme que a erosão alcance sua casa.
"Muito preocupante, porque todo dia tá chovendo. E aí o buraco já tá chegando aqui no muro da minha casa já, tá vindo por baixo. Esse poste também aqui já tá balançando e vai cair. Às vezes chove de madrugada e eu me acordo e venho olhar aqui com medo até de desabar tudo", desabafou Cida.
No Tancredo Neves, moradores de uma estância instalada nas proximidades da cratera tiveram que abandonar imóveis próximos à cratera por risco de desabamento.
Vistoria e parecer técnico
Equipes da Defesa Civil do Amazonas e da Defesa Civil Municipal vistoriaram as áreas afetadas. O objetivo é mapear os riscos e definir medidas de contenção.
De acordo com a geóloga da Defesa Civil do Estado, Maely Carvalho, a formação dessas estruturas é favorecida pelo tipo de solo da região.
"Devido ao nosso solo amazônico, isso é bastante comum. Então, nós viemos aqui ver a situação dessas erosões, fazer o nosso parecer técnico, verificar qual é a real situação e ver o que essa erosão pode afetar, quais são os imóveis ou edificações que podem ser afetados", explicou a geóloga.
A engenheira ambiental Karoline Costa destacou que o levantamento também considera impactos ambientais e de infraestrutura.
"A gente tá fazendo esse levantamento para verificar quais serão as recomendações de parte estrutural para fazer as contenções, e também recomendações tratando-se da área ambiental, do dano ambiental e às famílias que moram no entorno. A questão da drenagem tá quebrada, então acaba afetando e contaminando o solo", destacou a engenheira.
Segundo o secretário operacional da Defesa Civil de Presidente Figueiredo, Rodrigo Martins, os dados vão servir de base para pedidos de obras emergenciais.