Ipês começam a florescer e mudam paisagem da Avenida Djalma Batista, em Manaus; VÍDEO
17/09/2026
(Foto: Reprodução) Ipês começam a florescer e mudam paisagem da Avenida Djalma Batista, em Manaus
Quem passa pela Avenida Djalma Batista, uma das principais vias de Manaus, já começa a perceber uma mudança na paisagem. Os ipês plantados no canteiro central da avenida iniciaram mais um ciclo de floração e passaram a chamar atenção pelas flores que surgem entre os galhos. Assista acima.
O florescimento dos ipês na avenida já se tornou uma cena tradicional da cidade. As árvores foram plantadas em junho de 2012 e, desde então, a floração costuma transformar temporariamente o visual de uma das principais vias da capital amazonense.
Em informações divulgadas pela Prefeitura de Manaus na ocasião, o conjunto era formado por 315 ipês-brancos plantados no corredor viário.
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Ipês começam a florescer e mudam paisagem da Avenida Djalma Batista, em Manaus.
Patrick Marques/g1 AM
Por que os ipês florescem?
A floração acontece como parte do ciclo reprodutivo dos ipês. Antes de florescer, as árvores perdem as folhas e ficam com os galhos mais expostos. O processo é uma característica da espécie e está relacionado à adaptação às condições do ambiente.
Tradicionalmente, o surgimento das flores ocorre entre setembro e outubro, período que coincide com o pico da estação seca em Manaus e o Verão Amazônico.
Depois da floração, os ipês passam por um processo de renovação das folhagens. As flores e as vagens caem e, posteriormente, novas folhas começam a surgir nos galhos.
Ipês começam a florescer e mudam paisagem da Avenida Djalma Batista, em Manaus.
Patrick Marques/g1 AM
O período também pode ser aproveitado para a coleta de sementes destinadas à produção de novas mudas. Nos ciclos, técnicos da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas) costumam realizar o monitoramento das árvores para identificar o momento adequado para a coleta.
Uma mudança na paisagem de Manaus
Além do ciclo natural da espécie, a floração acaba tendo um efeito direto sobre a paisagem urbana.
Para a arquiteta e urbanista Melissa Toledo, vice-presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Amazonas (CAU/AM), os ipês introduzem cor, sazonalidade e identidade em uma cidade marcada pelo concreto e pela impermeabilização.
“Quando os ipês florescem, criam pontos de referência e alteram temporariamente a percepção de avenidas e canteiros. Trata-se de um evento paisagístico que ativa o olhar do cidadão”, afirmou.
Ipês começam a florescer e mudam paisagem da Avenida Djalma Batista, em Manaus.
William Duarte/Rede Amazônica
Para Melissa, a presença de árvores floridas em uma avenida como a Djalma Batista também ajuda a transformar um espaço predominantemente voltado à circulação em um ambiente com maior qualidade ambiental e paisagística.
“Avenidas não são meros canais para circulação de veículos; são espaços vivos”, disse.
Arborização também ajuda no conforto térmico
Em uma cidade de clima quente como Manaus, a arborização tem funções que vão além da estética.
De acordo com Melissa, árvores planejadas podem oferecer sombra, reduzir a incidência direta da radiação solar e diminuir a temperatura das superfícies. Elas também podem contribuir para a retenção de poluentes e para a proteção do solo.
A arquiteta ressalta, porém, que o plantio precisa ser planejado de acordo com as características de cada local.
Ipês começam a florescer e mudam paisagem da Avenida Djalma Batista, em Manaus.
William Duarte/Rede Amazônica
Entre os fatores que devem ser considerados estão o crescimento das raízes, a presença de redes subterrâneas, a largura das calçadas, a visibilidade e a segurança viária.
“O bom urbanismo reside justamente na integração harmônica entre natureza, infraestrutura e uso humano”, explicou.
Ipês e a relação dos moradores com a cidade
A mudança visual provocada pela floração também pode alterar a forma como os moradores se relacionam com os espaços públicos.
Segundo Melissa, uma avenida dominada por asfalto, muros e veículos tende a ser percebida apenas como um local de passagem. Já uma arborização marcante pode transformar aquele espaço em uma paisagem reconhecível e criar vínculos com quem circula pela região.
“A floração sazonal do ipê estabelece um calendário visual: a população antecipa esse período, reconhece os pontos floridos e constrói afetividade com o espaço público”, afirmou.
Ipês começam a florescer e mudam paisagem da Avenida Djalma Batista, em Manaus.
Patrick Marques/g1 AM
Manutenção das árvores
Desde o plantio, os ipês da Djalma Batista recebem ações de manutenção da Prefeitura de Manaus, por meio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas).
Em informações divulgadas pela prefeitura, entre os serviços realizados estavam adubação complementar, reposição, tutoramento e podas de condução, quando necessárias para adequar o desenvolvimento das árvores às características do espaço urbano.
Para Melissa, o plantio de ipês em canteiros centrais pode fazer parte de uma estratégia de planejamento urbano, desde que não seja pensado apenas pelo aspecto visual.
A escolha das espécies, o espaçamento entre as árvores e a relação da vegetação com mobilidade, drenagem e acessibilidade precisam ser considerados no planejamento.
“O paisagismo é parte integrante do planejamento urbano”, afirmou.
Enquanto seguem o ciclo natural de floração e renovação das folhas, os ipês da Djalma Batista voltam a transformar temporariamente a paisagem da avenida e chamam a atenção de quem passa pelo local.
Ipês começam a florescer e mudam paisagem da Avenida Djalma Batista, em Manaus.
William Duarte/Rede Amazônica