Governo do AM pediu ajuda federal contra queimadas, mas desistiu, diz ministério

  • 10/10/2026
(Foto: Reprodução)
Bombeiros atuam em incêndio em zona rural de Itacoatiara. Liam Cavalcante/Rede Amazônica O governo do Amazonas solicitou apoio do governo federal para combater queimadas florestais, mas dispensou uma equipe de brigadistas antes que ela se deslocasse para atuar no estado, informou o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA). A manifestação ocorreu após o comandante do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM), coronel Orleilso Muniz, afirmar que o pedido de ajuda federal havia sido negado. A divergência veio à tona na sexta-feira (9), durante entrevista de Muniz ao Jornal do Amazonas 1ª Edição, da Rede Amazônica. O comandante disse que os bombeiros receberam uma resposta negativa ao pedido de apoio para combater incêndios florestais, inclusive em áreas sob responsabilidade federal. Horas depois, o Ministério do Meio Ambiente contestou a declaração e afirmou que o governo federal já atua no combate às queimadas no Amazonas. Neste sábado (10), as primeiras aeronaves enviadas pela União chegaram a Manaus. Uma comitiva federal também deve chegar à capital durante a noite para acompanhar as ações. 📲 Participe do canal do g1 AM no WhatsApp Combate às queimadas no AM: desde setembro foram registrados 4.508 focos de queimadas Ajuda foi dispensada após chuvas, diz ministério O Ministério do Meio Ambiente informou que recebeu, em 23 de setembro, uma solicitação de apoio do governo do Amazonas por meio do Centro Integrado Multiagência de Coordenação Operacional Federal (Ciman Federal), coordenado pelo Ibama, para o reforço das ações de combate aos incêndios florestais nos municípios de Novo Aripuanã, Careiro da Várzea, Autazes, Manaquiri, Urucurituba, Apuí, Manicoré, Manacapuru e Caapiranga. A partir do pedido, foram mobilizados combatentes do Projeto de Resposta em Ações Integradas para Atuação em Situações de Desastres (Respad) e uma aeronave do Projeto de Gerenciamento de Aeronaves para Situações de Urgência e Socorro (Pegasus). No entanto, segundo o ministério, em 30 de setembro, o governo estadual informou que não precisava mais do apoio dos brigadistas com a justificativa de que chuvas contribuíram para o controle dos focos de incêndio. A equipe federal foi dispensada antes de se deslocar para atuar em campo. O MMA afirmou ainda que orientou o governo estadual a solicitar recursos pelo Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil (SINPDEC) para ampliar a capacidade de resposta aos incêndios. Até este sábado, segundo a pasta, o pedido não havia sido formalizado. O g1 questionou o governo do Amazonas se a dispensa da equipe federal em 30 de setembro foi uma decisão formal do estado e qual o posicionamento sobre a divergência, mas até a publicação desta reportagem não obteve resposta. Bombeiros dizem que pedido de aeronaves foi negado A declaração do comandante dos bombeiros que deu início à divergência ocorreu na sexta-feira (9). Durante entrevista à Rede Amazônica, Orleilso Muniz afirmou que a corporação havia recebido uma resposta negativa ao pedido de apoio federal. "Nós já tivemos um retorno negativo, de que não seria possível apoiar. Reforço e apelo mais uma vez: o estado do Amazonas precisa somar esforços com o Governo Federal para fazer um enfrentamento qualificado", afirmou. Ao g1, os bombeiros enviaram dois ofícios relacionados à solicitação de recursos para combater os incêndios florestais. Um deles foi encaminhado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública em 18 de setembro. O outro contém a resposta da pasta, assinada em 1º de outubro. No documento, o Ministério da Justiça informou que não poderia atender à solicitação naquele momento. Segundo a resposta, a Secretaria Nacional de Segurança Pública não dispunha de equipamentos daquele tipo para doação e indicou alternativas para a obtenção de recursos federais. O pedido, assinado por Muniz, previa quatro aeronaves para combater o fogo, uma aeronave para transportar equipes e equipamentos e recursos para a compra ou o aluguel de veículos. Governo federal cita ações no Amazonas Além da mobilização de equipes e aeronaves, o Ministério do Meio Ambiente afirmou que o governo federal apoia o Amazonas por meio do projeto ProAmazon, financiado pelo Fundo Amazônia com R$ 45 milhões. De acordo com a pasta, os pagamentos foram realizados em janeiro de 2025 e março de 2026. Os recursos são destinados ao fortalecimento da estrutura do Corpo de Bombeiros e a ações de prevenção e combate a incêndios florestais e queimadas não autorizadas. O ministério também informou que, desde o início da temporada de incêndios, o Ibama extinguiu 229 incêndios no Amazonas e continua atuando no combate a outros 20 focos ativos. A pasta não informou onde as operações estão concentradas. Fumaça volta a encobrir Manaus Neste sábado, a fumaça voltou a encobrir Manaus pelo terceiro dia consecutivo. Por volta das 6h, a concentração de partículas finas chegou a 209,1 microgramas por metro cúbico (µg/m³) no sensor instalado na Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema), na Zona Centro-Sul da capital. O índice é mais de oito vezes superior ao limite de 25 µg/m³ utilizado pelo Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), como referência para uma boa qualidade do ar. Na região central de Manaus, a concentração chegou a 164,1 µg/m³. No Morro da Liberdade, o sensor registrou 157,2 µg/m³. Nos três pontos, a qualidade do ar foi classificada como péssima. Manaus amanhece encoberta pela fumaça José Lima/Rede Amazônica

FONTE: https://g1.globo.com/am/amazonas/noticia/2026/10/10/governo-do-am-pediu-ajuda-federal-contra-queimadas-mas-desistiu-diz-ministerio.ghtml


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