Falta de juízes no interior do Amazonas dificulta acesso à Justiça

  • 07/04/2026
(Foto: Reprodução)
Falta de juízes no interior do Amazonas dificulta acesso à Justiça Neste mês, o Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) deve empossar mais de 23 novos juízes. Apesar do reforço, moradores do interior ainda enfrentam dificuldades para acessar a Justiça por causa da falta de magistrados e promotores em diversas cidades. A ausência desses profissionais impacta diretamente casos graves. Um caso recente no Careiro ilustra essa realidade. Durante meses, um pai, que preferiu não se identificar, sufocou o instinto de vingança esperando que a Justiça fizesse seu papel após a filha, hoje com 15 anos, ter sido estuprada por um conhecido da família no ano passado. “Eu queria que ele mandasse prender ele. Minha filha não vai poder estudar esse ano. Ela não quer ir pra aula, com medo dele. O juiz tinha que liberar o mandado de prisão pra ele”, disse. 📲 Participe do canal do g1 AM no WhatsApp O depoimento da adolescente foi colhido pela polícia com acompanhamento psicológico. Ela relatou que foi levada até a casa do suspeito, onde ocorreu o abuso, e que foi ameaçada para não contar o caso à família. "Fui comprar pão para merendar. Depois, minhas colegas me chamaram para brincar. O amigo da minha mãe e do meu pai me chamou e me levou para a casa dele. Chegando lá, ele tirou minha roupa e fez aquelas coisas comigo. A esposa dele tinha ido para o sítio. Depois que ele fez comigo, ele me ameaçou dizendo que se eu falasse para minha mãe, ele ia fazer coisa ruim comigo e com minha família. Por isso, não falei. Tive relação sexual com ele", disse a vítima. O suspeito já havia sido demitido de duas escolas por acusações de abuso sexual. Segundo o Conselho Tutelar, havia denúncia anterior contra ele por aliciamento de uma criança de 7 anos. O pedido de prisão preventiva foi feito em dezembro. O delegado responsável apontou que, solto, ele continuaria colocando em risco a integridade física e psicológica da vítima. No depoimento, o suspeito negou as acusações, mas acabou sendo preso durante as investigações desta reportagem. Segundo a polícia, ele estava trabalhando como mototáxi. O delegado afirmou que há meses possuia elementos suficientes para a prisão, mas a medida dependia de autorização judicial. O advogado criminalista Marcelo Amil explica que, sem flagrante, a prisão só pode ser determinada por um juiz. “Quando esse crime já aconteceu e não cabe mais o flagrante, o delegado precisa comunicar o juiz e pedir a medida”, afirmou. O juiz titular do Careiro é Geildson de Souza Lima. No fórum, a informação é de que ele não mora na cidade e não comparece diariamente. Pela lei, magistrados devem residir na comarca onde atuam, e cabe ao tribunal fiscalizar essa obrigação. Procurado, o Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) não concedeu entrevista. Em nota, informou apenas que vai apurar a demora na análise do pedido de prisão no caso do Careiro. Família denuncia negligência médica na rede pública e aponta falhas desde o parto de bebê no Amazonas Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania em Careiro, no Amazonas. Vinicius Assis/Rede Amazônica Justiça reconhece falta de juízes Atualmente, o Amazonas tem 168 juízes, sendo 52 no interior. O tribunal não informou quais cidades estão sem juiz titular. O próprio presidente do TJAM, desembargador Jomar Fernandes, reconheceu o problema em sessão no fim de fevereiro. “O nosso interior hoje padece com a ausência de diversos juízes. Há quase que metade das comarcas sem titularidade”, disse. A previsão é que mais de 20 novos juízes tomem posse neste mês, mas ainda não há definição sobre a lotação de cada um. A turma foi batizada de ministro Mauro Campbell, corregedor nacional de Justiça. Durante evento neste ano, Campbell criticou magistrados que recebem auxílio para atuar no interior, mas não permanecem nas cidades. “Se você não aceita, devolve o que recebeu e sai da magistratura. Não há alternativa”, afirmou. Ele também destacou os desafios enfrentados pela população. “Há sempre o reclamo de falta de educação e saúde, mas e o cidadão que está lá?”, questionou. Além da falta de juízes, o Careiro também enfrenta ausência de promotor titular desde o ano passado. Conselheiros tutelares relatam dificuldades para dar andamento às denúncias. “Acho que nesses últimos dois anos nós temos tido uma dificuldade com a questão de promotor titular aqui. Sempre que a gente procura, a gente não sabe quem é a pessoa que está atualmente aqui. Este talvez seja o nosso gargalo com relação a sempre estar buscando um retorno para entregar para a sociedade", disse o conselheiro Efraim Alves. A procuradora-geral de Justiça do Amazonas foi convidada para falar sobre o tema, mas a entrevista não foi realizada. Especialistas apontam que a ausência de juízes e promotores compromete o funcionamento do sistema de Justiça. “Quando você não tem o juiz na comarca, há esvaziamento do cumprimento da lei. Sem o Ministério Público, não há como processar criminalmente. Isso pode gerar impunidade”, afirmou o advogado Marcelo Amil. Em Careiro, falta de juíz gera medo de impunidade à vítimas de crimes. Vinicius Assis/Rede Amazônica

FONTE: https://g1.globo.com/am/amazonas/noticia/2026/04/07/falta-de-juizes-no-interior-do-amazonas-dificulta-acesso-a-justica.ghtml


#Compartilhe

Aplicativos


Locutor no Ar

Peça Sua Música

Top 5

top1
1. saudade da minha vida

gustavo lima

top2
2. uai

zé neto e cristiano

top3
3. rancorosa

henrique e juliano

top4
4. eu e voce

jorge e matheus

top5
5. solteirou

luan santana

Anunciantes