Dia dos Povos Indígenas: rituais da Tucandeira e da Moça Nova preservam tradições ancestrais no AM

  • 19/04/2026
(Foto: Reprodução)
Rituais indígenas preservam tradições ancestrais no Amazonas Celebrado neste domingo (19), o Dia dos Povos Indígenas reforça a resistência de povos que mantêm vivos saberes ancestrais no Amazonas, mesmo diante das transformações da vida contemporânea. Rituais como o da Tucandeira e o da Moça Nova simbolizam a passagem para a vida adulta e mostram como tradição, identidade e cultura seguem presentes no cotidiano de diferentes etnias. Os ritos refletem a diversidade cultural dos povos indígenas do Amazonas e mostram como práticas ancestrais seguem sendo transmitidas entre gerações. Mais do que cerimônias de passagem, esses rituais representam identidade, espiritualidade e conhecimento tradicional, reforçando a importância da preservação das culturas indígenas no Brasil. Conheça as tradições abaixo e veja como os povos originários mantém seus costumes vivos na capital mais indígena do país e no Amazonas. 📲 Participe do canal do g1 AM no WhatsApp Ritual da Tucandeira: dor e resistência marcam passagem masculina Na aldeia Vila Batista, em Parintins, cerca de 280 indígenas do povo Sateré-Mawé mantêm o chamado Ritual da Tucandeira, que marca a transição de meninos para a vida adulta. Durante a cerimônia, os jovens vestem uma luva artesanal feita de palha de tucumã, conhecida como “tipiti”, onde são inseridas dezenas de formigas tucandeiras (Paraponera clavata). Os insetos, conhecidos pela ferroada extremamente dolorosa, ficam com os ferrões voltados para dentro da luva. Para preparar o ritual, as formigas são coletadas na mata e colocadas em uma mistura com água e folhas de cajueiro, que as deixa temporariamente anestesiadas. Depois, são inseridas nas luvas ornamentadas com penas de aves como araras e gaviões. No momento da prova, os jovens precisam dançar por cerca de 30 minutos com as mãos dentro das luvas, suportando múltiplas ferroadas. Até serem reconhecidos como guerreiros, eles devem repetir o ritual cerca de 20 vezes ao longo da juventude. Além da demonstração de coragem, o ritual também carrega um significado medicinal. Segundo lideranças Sateré-Mawé, o veneno da formiga é visto como uma forma de fortalecer o corpo e prevenir doenças, conhecimento transmitido entre gerações. Conheça o 'Ritual da Tucandeira' que marca a passagem da adolescência para vida adulta feito pelo povo Sateré-Mawé no AM. Ruthiene Bindá/Rede Amazônica Ritual da Moça Nova: tradição Tikuna celebra passagem feminina Entre o povo Tikuna, o Ritual da Moça Nova marca a passagem das meninas para a vida adulta após a primeira menstruação. A tradição, que foi realizado pela primeira vez em comunidades indígenas em Manaus no ano de 2016, simboliza um momento de transformação e aprendizado. Antes da cerimônia, a jovem passa por um período de reclusão que pode durar até três meses, quando aprende atividades e responsabilidades da vida adulta dentro da comunidade. No dia do ritual, as participantes aparecem com os olhos vendados, o corpo pintado e adornado com penas. A celebração é marcada por danças, cantos na língua Tikuna e o som de tambores, que convocam a comunidade para a festa. Um dos momentos mais simbólicos ocorre quando parte dos cabelos das jovens é arrancada, representando o fim da infância e o início de uma nova fase, com deveres e responsabilidades. Para os Tikuna, esse período também é considerado delicado espiritualmente, sendo necessário proteger as jovens de influências negativas, enquanto elas recebem orientações sobre a vida adulta. Mesmo em contexto urbano, lideranças indígenas destacam o esforço para manter viva a tradição. Em Manaus, onde vivem milhares de indígenas de diferentes etnias, o ritual também se tornou uma forma de reafirmação cultural e resistência diante do preconceito. Ritual celebra passagem da índigena para a vida adulta g1 AM Indígenas em contexto urbano mantêm cultura e reforçam resistência O Dia dos Povos Indígenas evidencia a força de comunidades que carregam saberes ancestrais no corpo, na memória e nas práticas do dia a dia. Em áreas urbanas como Manaus, esses povos transformam a própria existência em um ato contínuo de resistência cultural. Traços nos olhos, adereços e o artesanato não são apenas elementos estéticos: são formas de comunicar identidade, história e pertencimento. Mesmo longe das aldeias, indígenas mantêm vivas as conexões com suas origens e reforçam tradições que atravessam gerações. É o caso da cacique Vanusa Kambeba, que utiliza a arte como ferramenta de preservação cultural e ensino. Segundo ela, iniciativas como oficinas de língua materna ajudam a fortalecer a identidade dos povos indígenas no ambiente urbano. “Cada vez mais a gente está trazendo para a cidade a nossa cultura”, afirmou. Capital com mais indígenas do país Em Manaus, considerada a capital brasileira com o maior número de indígenas, preservar costumes originários em meio ao crescimento urbano é um desafio diário. Nas comunidades, a resistência acontece por meio da valorização da língua, da arte e das tradições, ensinadas de geração em geração. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística mostram que, em 2022, o Brasil registrou 1.693.535 indígenas, um aumento de 88,82% em relação ao Censo de 2010, que contabilizou 896.917 pessoas. Desse total, 51,25% vivem na Amazônia Legal, enquanto a região Norte concentra cerca de 44,88% da população indígena do país. Indígenas em contexto urbano mantêm cultura e reforçam resistência. Reprodução/Rede Amazônica Os conhecimentos indígenas também ultrapassam os territórios tradicionais e ganham espaço nas universidades, nas cidades e nas manifestações culturais. Para lideranças, atuar em diferentes profissões ou viver em centros urbanos não significa abrir mão da própria identidade. O cacique Ildinei Kambeba destaca que a presença indígena na cidade também é uma forma de afirmação. “A forma de manter a minha cultura é assim como você está me vendo, com meus adereços. O intuito é mostrar para a sociedade que podemos estar em qualquer lugar”, explicou. Já a cacique Sira Curaci reforça que a luta vai além da preservação cultural e busca garantir o futuro das próximas gerações. “Estamos lutando para mostrar que resistimos, sim”, afirma. Povos indígenas fazem da própria existência um ato de resistir

FONTE: https://g1.globo.com/am/amazonas/noticia/2026/04/19/dia-dos-povos-indigenas-rituais-da-tucandeira-e-da-moca-nova-preservam-tradicoes-ancestrais-no-am.ghtml


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