Clube do Futuro Cientista completa 40 anos no Colégio Martha Falcão
21/10/2026
(Foto: Reprodução) Estudantes do Clube do Futuro Cientista participam de atividades práticas relacionadas à ciência e à educação ambiental.
Divulgação/INFS
A formação científica na infância e na juventude tem sido o motor de transformações sociais e profissionais na Amazônia. Idealizado pela professora, pesquisadora e ecologista Martha Falcão, o Clube do Futuro Cientista celebra quatro décadas de atuação no Colégio Martha Falcão, consolidando-se como um espaço de incentivo à pesquisa prática, cidadania e consciência ambiental. O projeto, que atende desde os anos iniciais do Ensino Fundamental até o Ensino Médio dos alunos matriculados, combina visitas técnicas, palestras e ações comunitárias, como o cultivo e a distribuição de mudas na periferia de Manaus.
A metodologia do clube vai além da teoria tradicional das salas de aula. Sob uma perspectiva pioneira, a iniciativa estimula a autonomia dos participantes por meio do rigor acadêmico e da vivência direta com os ecossistemas regionais. Esse ambiente de aprendizado tem gerado frutos consistentes, direcionando ex-alunas para carreiras de destaque em áreas estratégicas do mercado de trabalho e da pesquisa científica internacional.
Um dos exemplos desse impacto é a trajetória de Ana Cecília Nina Lobato, de 33 anos. Doutora em Agronomia Tropical e gerente de Produção Vegetal no Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Amazonas (IDAM), a engenheira agrônoma teve seu primeiro contato com o método científico ainda na educação básica.
Ao visitar o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), ela despertou o interesse pelo estudo de plantas medicinais - base que culminou, anos mais tarde, no desenvolvimento de um bioplástico a partir da fécula de cará. "A agronomia ainda é uma área bastante masculina e enfrentamos desafios diários. No entanto, a base que tive no colégio foi fundamental para minha postura profissional", destaca Ana Cecília.
O incentivo à participação feminina nas ciências exatas e na tecnologia segue como uma das marcas da nova geração de estudantes. Natália Barros, de 20 anos, ex-aluna da turma de 2022 e atual graduanda em Engenharia de Controle e Automação na Universidade do Estado do Amazonas (UEA), definiu sua escolha profissional ao construir um robô em apenas uma semana durante uma atividade na escola.
A projeção dos projetos desenvolvidos no clube também alcança a esfera internacional. Naomi Nakamura, de 17 anos, aluna do 3º ano do Ensino Médio, integra o clube Girl Up, apoiado pela Organização das Nações Unidas (ONU), e colabora em pesquisas em parceria com a Universidade de Toronto e a Universidade de Nova York. A jovem desenvolveu um biofilme biodegradável voltado à proteção dos recursos hídricos amazônicos, alinhando tecnologia e sustentabilidade.
Segundo o professor do Colégio Martha Falcão, biólogo Carlos Henrique Abreu, a dinâmica interna do Clube do Futuro Cientista reflete os preceitos de liderança e gestão democrática. A cada dois anos, os alunos elegem uma diretoria própria composta por cargos como presidente, vice-presidente e secretários de cultura e marketing. “Esse processo de escolha, que envolve votação de alunos e funcionários entre duas chapas concorrentes, introduz noções de governança e trabalho em equipe desde as primeiras etapas da vida escolar”, explicou.
Integrando cultura, ecologia e ciência, a programação do clube abrange saídas de campo regulares. Entre as atividades executadas estão o acompanhamento e colheita de açaí plantado pelos próprios estudantes em comunidades de Presidente Figueiredo, a introdução do cultivo de café e, no ciclo final do ano letivo, instruções práticas de navegação e sobrevivência na selva para o Ensino Médio, além de observação astronômica e monitoramento da fauna local com as turmas infantis.
"O legado da professora Martha Falcão nos ensina que a educação ambiental e científica não pode ser abstrata. Quando oferecemos às crianças e jovens a oportunidade de vivenciar a ciência na prática, desenvolvendo soluções para a Amazônia, estamos formando líderes conscientes, capazes de transformar a realidade local e ocupar qualquer espaço no mundo", ressalta Nelly Falcão, diretora do Colégio Martha Falcão.
Atualmente ofertando 80 vagas anuais com inscrições abertas tradicionalmente no mês de março — período que marca a Semana da Árvore na Região Norte —, o Clube do Futuro Cientista projeta a ampliação do atendimento para 100 vagas no próximo ano letivo, consolidando a integração entre a iniciação científica e o desenvolvimento sustentável no Amazonas.
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