Chacina em Manaus: entenda como o crime aconteceu durante cerca de 2 horas

  • 18/08/2026
(Foto: Reprodução)
Preso confessa participação em chacina que deixou três mortos em Manaus Três pessoas foram mortas e uma mulher ficou ferida durante uma chacina registrada na manhã de segunda-feira (17), no bairro São Geraldo, Zona Centro-Sul de Manaus. Horas depois, Ezenilson Silva de Sousa foi preso e confessou à Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) ter cometido os assassinatos. Segundo a investigação, o suspeito chegou ao imóvel por volta das 5h30, estacionou a motocicleta em frente à residência e pulou o muro. Ele deixou o local por volta das 7h. Nesse intervalo, três pessoas foram mortas e uma mulher ficou ferida. Os mortos são Francisco das Chagas Morais Santos, de 66 anos, Isabella Coelho Morais, de 29, e Guilherme Pereira Lima Filho, de 65 anos. Uma quarta vítima, identificada apenas como Dilma, foi socorrida e permanece hospitalizada. 📲 Participe do canal do g1 AM no WhatsApp Como o suspeito entrou na casa Em entrevista coletiva nesta terça-feira (18), o delegado Ricardo Cunha, titular da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), afirmou que câmeras de segurança registraram o suspeito chegando ao endereço ainda de madrugada. Ele estacionou a motocicleta, pulou o muro e entrou no imóvel. Segundo o que foi relatado à polícia, ele já havia levado um martelo. A ação, desde a entrada até a saída da residência, durou cerca de duas horas, de acordo com as investigações. Por que ele foi até a casa? Suspeito de envolvimento na morte de três pessoas da mesma família em Manaus chega a delegacia. Patrick Marques/g1 AM A principal linha apontada pela investigação é financeira. O suspeito, identificado como Ezenilson Silva de Sousa, contou à polícia que tinha uma dívida com agiotas e foi até a casa em busca de dinheiro. Segundo o delegado Ricardo Cunha, o homem havia ido até o imóvel para pedir dinheiro a uma das vítimas, que era pastor e ex-sogro dele. Inicialmente, a polícia informou que a dívida era de R$ 16 mil. Em outro relato apresentado durante a investigação, o valor apontado foi de R$ 19 mil. Segundo o delegado, houve um desentendimento depois que Francisco não quis entregar mais dinheiro a Ezenilson. "[Eles] tiveram um desentendimento porque esse pastor não quis lhe dar mais dinheiro e, segundo ele, ele perdeu a cabeça e matou esse pastor ainda dentro do seu próprio quarto", afirmou o delegado. 'Menina amável, doce e obediente': quem era jovem com paralisia cerebral morta em chacina em Manaus 'Carinhoso e muito inteligente': saiba quem era o professor universitário morto durante chacina em Manaus 'Pessoa altamente fria': suspeito de matar três em chacina em Manaus não demonstrou arrependimento, diz delegado Como aconteceram os ataques Francisco foi a primeira vítima atacada, segundo a versão apresentada pelo suspeito à polícia. Isabella Coelho Morais, filha de Francisco, estava em um cômodo ao lado. Ao ouvir a movimentação, ela entrou no quarto e também foi atacada. A jovem tinha paralisia cerebral, com grau leve de comprometimento, o que permitia que ela andasse e realizasse tarefas do dia a dia. No primeiro andar, morava Guilherme Pereira Lima Filho, de 65 anos, professor universitário da Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Ele ouviu os gritos e subiu para verificar o que estava acontecendo. Segundo a investigação, Guilherme entrou em luta corporal com o suspeito e acabou morto. No térreo, morava uma mulher identificada apenas como Dilma. Ao ouvir a movimentação, ela também subiu e foi golpeada. "Ele entrou no ambiente e os outros foram consequências ali de estarem acordando. Estava todo mundo dormindo no horário que ele entrou nessa casa", explicou Ricardo Cunha. Por que o suspeito não fugiu? Segundo a investigação, Ezenilson Silva permaneceu no imóvel porque ainda procurava dinheiro. Durante a ação, ele encontrou um pequeno cofre com cerca de R$ 900, que pertencia a Francisco. Além do dinheiro, o suspeito deixou a residência levando os celulares de três vítimas. Ele também usava uma máscara de proteção na tentativa de não ser identificado. Pequeno cofre com cerca de R$ 900, que pertencia a Francisco, morto em chacina no bairro São Geraldo, em Manaus Divulgação/PC-AM O que aconteceu com a arma usada no crime? Após ser preso, o suspeito afirmou aos investigadores que usou um martelo para cometer os assassinatos. Segundo o delegado Ricardo Cunha, o homem disse que jogou o objeto em um igarapé próximo à residência. "Foi um martelo, ele já se desfez desse martelo, jogou lá no igarapé, ali próximo ao local de crime", disse o delegado. Como a polícia encontrou as vítimas? Os três corpos foram encontrados dentro da residência. Dois estavam em um quarto e o terceiro, no corredor da casa. A Polícia Militar informou que um morador encontrou as vítimas e acionou o número 190. Quando os policiais chegaram, confirmaram o crime. A área foi isolada para o trabalho da perícia. O Instituto Médico Legal (IML) e o Departamento de Polícia Técnico-Científica (DPTC) foram acionados para a remoção dos corpos e os demais procedimentos. O que aconteceu com a mulher ferida? A quarta vítima foi socorrida pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e levada para o Hospital e Pronto-Socorro João Lúcio, na Zona Leste de Manaus. Ela ficou gravemente ferida após ser golpeada e permanece hospitalizada. O g1 procurou a Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM), nesta terça-feira (18) para saber o estado de saúde dela, mas até a última atualização desta reportagem, não obteve retorno. Como o suspeito foi identificado A polícia chegou até Ezenilson após analisar as imagens das câmeras de segurança que registraram a chegada do suspeito à residência. Segundo o titular da DEHS, os investigadores identificaram Ezenilson entre os familiares das vítimas e perceberam uma semelhança entre ele e o homem registrado pelas câmeras. A polícia também verificou a motocicleta usada pelo suspeito e constatou que se tratava do mesmo veículo que aparece nas imagens. Após reunir essas informações, os investigadores confrontaram Ezenilson. Segundo o delegado, ele confessou o crime. "Confrontamos ele, ele não titubeou, ele confessou a prática desse crime. Tivemos que retornar ao local do crime para ver aquelas cenas de terror novamente para entender a dinâmica e lá ele relatou com muitos detalhes como foi essa ação criminosa", disse Ricardo Cunha. Segundo Ricardo Cunha, Ezenilson não tinha antecedentes criminais e não demonstrou arrependimento durante o interrogatório. "Trata-se de uma pessoa sem passagens, é uma pessoa altamente fria, não esboçou qualquer tipo de arrependimento ali ao confessar o crime", afirmou. O delegado afirmou ainda que o suspeito alegou ter agido em legítima defesa, versão que não convenceu os investigadores. "Alegou uma legítima defesa que obviamente não nos convenceu, mas foi alegado por ele no interrogatório", concluiu. Dinheiro, celulares e bolsa apreendidos com suspeito de cometer chacina no bairro São Geraldo, em Manaus Divulgação/PC-AM

FONTE: https://g1.globo.com/am/amazonas/noticia/2026/08/18/chacina-em-manaus-entenda-como-o-crime-aconteceu-durante-cerca-de-2-horas.ghtml


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