Caminho do sangue: entenda o processo desde a doação no Amazonas
16/06/2026
(Foto: Reprodução) O sangue doado por voluntários no Amazonas e fracionado vir bolsas de hemácias, plaquetas e plasmas. Ele segue circulando numa logística de transporte para chegar a quem precisa, seja em Manaus ou na capital do Amazonas.
A segunda reportagem do Jornal do Amazonas 1ª edição explica como o estoque necessita ser renovado por duas situações: demanda de urgência, emergência, cirurgias eletivas, tratamento de pacientes com doenças no sangue; e, também pelo período de validade de cada componente
Sangue é um tecido líquido muito precioso. Um recurso terapêutico que salva em qualquer fase da vida. Quem vê a Melissa assim brincando, comendo, nem imagina que dias antes desse encontro ela enfrentou mais uma semana na UTI.
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A criança sorridente tem pouco mais de dois anos e a leucemia descoberta há oito meses já levou a vária transfusões.
"Quando a gente descobriu que ela tava doente, veio várias transfusões de sangue. Muitas transfusões. Praticamente todo santo dia ela fazia. Plaquetas, hemácias", disse a mãe, Anderleia Oliveira da Silva.
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Mellissa e a família são do interior do estado. Deixaram o município de Barcelos e vivem na capital amazonense por causa do tratamento da leucemia linfoide aguda tipo B, que é longo.
"É uma doença que a gente sempre ouvi falar, mas sempre com outras pessoas. A gente nunca imagina que vai acontecer com a gente. É uma doença bastante agressiva, foi um baque pra gente. A gente esperava tudo, menos isso", explicou.
Na luta da filha, a mãe enxerga quantas pessoas entram no caminho dela pelo sangue. Só para ajudar
"Então, para mim é um ato de amor muito lindo. Porque você salvar uma pessoas sem você conhecer, sem ter o vínculo é humanidade mesmo. Ser humano com outro que você não conhece", explicou a mãe.
Mellissa e a família são de Barcelos e vivem na capital amazonense por causa do tratamento da leucemia linfoide aguda tipo B.
Foto: Reprodução/Rede Amazônica
Essas agitadas aqui, são as plaquetas e elas não duram muito. Se não forem usadas em cinco dias, perdem a eficácia. São essenciais, atuam como combatentes para coagulação do sangue e na interrupção de sangramentos
O caminho do sangue: veja como uma doação feita no interior do AM chega até quem precisa
O vermelho é das células mais numerosas do nosso sangue: as hemácias. Ela transportam oxigênio e gás carbônico. O concentrado é o que aumenta essa capacidade de transporte. FIca assim, num lugar bem gelado por até 42 dias. E tem quem literalmente congele.
Enquanto as hemácias e plaquetas são as células viajantes, o plasma é , digamos assim a "estrada" e o veículo que carrega tudo isso. É a parte líquida do sangue e tem várias funções e benefícios como atuar no sistema de defesa imunológica. Nele, contém anticorpos e importantes fatores de coagulação. Quando armazenadas adequadamente podem durar até dois anos e ir bem mais longe do que se imagina.
O vermelho é das células mais numerosas do nosso sangue: as hemácias.
Foto: Reprodução/Rede Amazônica
Caminhões frigoríficos viajam pelo brasil para recolher o plasma excedente e levar até o Nordeste do país, no interior do estado de Pernambuco.
Aqui fica a fábrica da Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecnologia (Hemobrás). E sangue de doador vira até remédio.
"A população doa o sangue. Do sangue temos o plasma, esse plasma coletado pela Hemobras fracionado, e a partir desse fracionamento volta para a população como medicamentos. A matéria mais importante que tem no sangue são proteínas. E esse plasma brasileiro ele vem carregado dos anticorpos, oriundos do processo de vacinação da população brasileira. Então, é um plasma muito rico e muito adequado a voltar como medicamento para essa população porque tem essa similaridade. É uma vida complexa e longa, mas que não começa se não tiver o doador", explicou a presidente da Hemobras, Ana Paula Rego Menezes.
Pronto, como medicamento, tudo retorna pelo Sistema Único de Saúde (SUS) aos estados e aqui já não se sabe mais quantas vidas uma única doação é capaz de mudar.
Uma delas é do André, três vezes por semana a mãe precisa aplicar um tipo de hemoderivado para agir na deficiência que o corpo dele tem na coagulação do sangue.
"O sangue não é só para aquela pessoa que está precisando naquele momento, para alguém que está precisando de cirurgia e abastece muitas pessoas que sofrem com algum tipo de doença no sangue. No caso, o meu remédio que eu tomo, ele é um fator oito plasmático, então ele é derivado do plasma do sangue. Então eu também dependo da doação. É um remédio que até então eu tenho que tomar pro resto da minha vida", disse o universitário André Ricardo Souza da Silva.
André é hemofílico e a doença foi descoberta na infância. Ainda não tem cura, mas o tratamento é eficaz. Esse hemoderivado, que vem do plasma, proporciona qualidade de vida ao André e que ele siga com planos para o futuro.
"Tenho grandes projetos de fisioterapia dentro da hemofilia. Também está envolvido no meu futuro. Vou ajudar outros hemofílicos. Mesmo com um atendimento de qualidade, a gente sabe que só aquele paciente sabe o que é sentir na pele a dor, o sofrimento de uma lesão, o quanto dói é chegar lá sendo um hemofílico como fisioterapeuta, poder entender mais um pouco do paciente, tendo a doença. Acho que é algo que se acontecer, vou ficar muito feliz", finalizou.
André é hemofílico e a doença foi descoberta na infância. Ainda não tem cura, mas o tratamento é eficaz.
Foto: Reprodução/Rede Amazônica