Boa Vista do Ramos entra em emergência por seca dos rios, e chega a 47 o número de municípios do AM na lista
28/10/2026
(Foto: Reprodução) Boa Vista do Ramos, no interior do Amazonas
Tácio Melo/Amazonastur
O número de municípios do Amazonas em situação de emergência por causa da estiagem subiu de 46 para 47, segundo boletim divulgado pelo governo estadual nesta quarta-feira (28). Boa Vista do Ramos foi incluída na lista que reúne cidades afetadas pela seca dos rios e incêndios florestais. A medida foi publicada no Diário Oficial do Estado na segunda-feira (26).
No município, o rio Paraná do Ramos, braço do rio Amazonas, atingiu a cota de 21,36 metros nesta quarta-feira. A Defesa Civil não divulgou a cota mínima recorde na localidade.
Até o momento, a estimativa do governo é que a estiagem deste ano já atingiu 124,2 mil famílias em todo o Amazonas. O número aumentou desde o último boletim, divulgado no dia 24 de outubro, que apontava 113,9 mil famílias afetadas.
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Com a nova inclusão à lista, os municípios em estado de emergência são: Alvarães, Amaturá, Anamã, Anori, Apuí, Atalaia do Norte, Autazes, Barreirinha, Benjamin Constant, Boca do Acre, Borba, Boa Vista do Ramos, Caapiranga, Carauari, Careiro, Careiro da Várzea, Coari, Eirunepé, Envira, Humaitá, Ipixuna, Itamarati, Japurá, Juruá, Jutaí, Lábrea, Manacapuru, Manaquiri, Manicoré, Maraã, Maués, Nhamundá, Nova Olinda do Norte, Novo Airão, Novo Aripuanã, Parintins, Pauini, Presidente Figueiredo, Rio Preto da Eva, Santo Antônio do Içá, São Paulo de Olivença, Silves, Tapauá, Tefé, Tonantins, Uarini e Urucurituba.
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Outros 11 municípios estão em estado de alerta: Barcelos, Beruri, Canutama, Fonte Boa, Guajará, Manaus, Santa Isabel do Rio Negro, São Gabriel da Cachoeira, São Sebastião do Uatumã, Tabatinga e Urucará.
Já Codajás, Iranduba, Itacoatiara e Itapiranga estão em situação de atenção.
Amazonas decreta emergência de saúde pública por fumaça e estiagem severa
Governo decreta emergência em saúde
Os efeitos sobre o transporte e o abastecimento de comunidades também levaram o governo a decretar emergência em saúde pública por 180 dias na segunda-feira (26).
Segundo o decreto, um levantamento preliminar da Defesa Civil estadual identificou 562 comunidades isoladas pela seca dos rios. A situação dificulta o acesso dos moradores aos serviços de saúde e pode comprometer o transporte de pacientes e o abastecimento de medicamentos e oxigênio medicinal.
O mesmo documento também cita acidentes fluviais em Itamarati, Eirunepé e Borba que provocaram perda ou comprometimento de cargas com medicamentos, insumos de saúde e cilindros de oxigênio medicinal.
Governo enviou alimentos para dois municípios
Na terça-feira (27), o governo do Amazonas enviou cerca de 13 toneladas de alimentos para Anamã e Rio Preto da Eva. Os dois municípios receberam, juntos, 670 cestas básicas, 400 kits de limpeza e 200 caixas d’água com capacidade para 500 litros cada.
De acordo com o governo, a primeira fase da Operação Estiagem 2026 já alcançou 15 municípios, com a distribuição de 4.800 cestas básicas, equivalentes a cerca de 96 toneladas de alimentos. Também foram entregues 3.400 kits de limpeza, 3.060 caixas d’água de 500 litros, três reservatórios de 5 mil litros e 18 kits purificadores de água.
Medidas de combate ao fogo
O governo também mantém ações de prevenção e combate a incêndios florestais. Cerca de 1.500 servidores, entre bombeiros militares e brigadistas, atuam na operação, que conta com 16 aeronaves do governo federal e duas do governo estadual: oito aviões Air Tractor, dois KC-390 e oito helicópteros.
Além disso, outras medidas tomadas de forma emergencial incluem a contratação de mais 153 brigadistas florestais, a entrega de viaturas e equipamentos de combate a incêndios e o monitoramento de focos de calor por imagens de satélite.
Ainda de acordo com o governo do Amazonas, operações de fiscalização ambiental também foram ampliadas. A Tamoiotatá atua em 13 municípios, enquanto a Amazonas+Verde realiza ações de combate a incêndios em 33 cidades. Já a Alerta Fogo fiscaliza o uso ilegal do fogo com apoio de drones e viaturas equipadas com internet via satélite.
Entre 1º de junho e 27 de outubro, o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) contabilizou 3.901 ocorrências relacionadas a incêndios urbanos e florestais e atuou no combate a 24.322 focos de incêndio. Desse total, 4.736 foram registrados em Manaus e 19.586 no interior.